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Nosso vocabulário tem muitas palavras. Palavras, palavrinhas e palavrões. E essa história é justamente sobre isso. Quantas palavras cabem em uma boca? E em um pensamento, quantas palavras convivem ali dentro? Ou melhor: e em um coração, será que também há palavras querendo sair e querendo entrar?

Juca achava que não. Quando somos crianças, às vezes nos falta um pouco de ouvido. Isso mesmo: de ouvido. Nosso ouvido é tão pequenininho que não cabem tantas palavras que os adultos têm para nos dizer, e algumas palavras acabam passando desapercebidas.

Mas vamos parar de rodeios. Juca, então, não acreditava no poder das palavras. Não sabia da importância que elas tinham em sua vida. E, por isso, as usava de maneira leviana e irresponsável. Não é fácil controlar todas as palavras que cabem dentro de nossa boca; então às vezes a gente acaba falando algumas besteiras e algumas coisas feias. O perigo está em quando esse hábito se torna normal e freqüente.

Juca era assim. Não pensava muito antes de falar. As palavras que estavam em seu pensamento e em seu coração, logo escapuliam e percorriam o caminho dos sentimentos, pulando para fora da boca sem qualquer pudor. Era normal ouvir Juca falando palavrões, xingando os pais, colocando apelidos maldosos nos colegas e respondendo a professora.

Mas Juca não era um garoto tão ruim assim. Acontece que ele se acostumou com as palavras descontroladas dentro dele, que nem se importava mais em deixá-las sair livremente e ofender as pessoas. Isso não seria problema algum se essas palavras não tivessem destino certo. Porém, cada palavra má que Juca pronunciava atingia em cheio um alvo frágil: o coração das pessoas. As palavras pulavam da boca dele e caíam como uma bomba no coração de quem quer que fosse. Juca já havia perdido as contas de quantas vezes disse algo a seus pais ou a seus colegas, e eles saíam chorando, ofendidos pelas palavras.

No coração as palavras podem ter dois efeitos: quando são palavras boas, elas geram um sentimento de alegria infinita, até que esse sentimento cresce e se torna amor, e o amor só traz mais coisas boas (ou seja, palavras boas geram coisas boas); mas quando são palavras más, o sentimento é de profunda tristeza, e a tristeza se transforma em mágoa, e a mágoa é uma ferida no coração das pessoas, que vai corroendo os bons sentimentos e trazendo infelicidade a todos. Era assim que Juca fazia: plantava mágoa, ressentimento e tristeza no coração de todos que o rodeavam.

Porém, certas palavras, quando são pouco utilizadas, se cansam de esperar e adormecem, ficando esquecidas dentro das pessoas. No caso de Juca, havia muito tempo que ele não dizia que amava alguém. Talvez ele até amasse seus pais e seus amigos, mas há muito tempo que ele não expressava esse amor. Por isso, o amor adormeceu em seu coração. Só que quando uma palavra adormece, outra precisa substituí-la. Certo dia, Juca escrevia uma redação para a escola, e quando foi escrever que a Rainha amava seus súditos, tudo o que conseguiu sair no papel foi: “A Rainha Bro Bro Bro seus súditos...”.

Juca estranhou muito, pois não conhecia a palavra Bro Bro Bro, e não poderia ter escrito por conta própria uma palavra que nem sequer conhecia. Foi quando ele percebeu que não conseguia expressar seu amor. Isso começou a preocupá-lo quando ele resolveu dizer pra Clara, sua namoradinha, que a amava. Ele só conseguiu falar: “Clara, eu Bro Bro Bro você!”. O resultado foi previsível: ela terminou o namoro com ele.

Juca começou a se incomodar com essa situação. Seu amor foi tão pouco utilizado que ele começou a pensar que ele não tinha mais amor. O interessante é que só sentimos a importância de algo em nossa vida, quando já não o temos mais. Com Juca aconteceu assim. Quando ele percebeu que não conseguia expressar seu amor é que ele percebeu o quanto o amor podia lhe fazer falta.

Ele notou que amava muito seus pais, que lhe deram o dom da vida e lhe dão todas as coisas de que ele precisa (principalmente amor e carinho). Percebeu, ainda, que amava seus amigos, que brincavam com ele e que passavam momentos divertidos juntos. Ainda pôde descobrir que amava sua professora, que tinha muita paciência com seu jeito agressivo e nunca desistia de lhe ensinar valiosas lições que o faziam ser alguém melhor.

Quando percebeu todas essas coisas, foi a primeira vez que Juca chorou por causa de seus erros. Havia se acostumado a ver tantas pessoas chorando com suas ofensas, que até se esqueceu de como podia ser desagradável chorar de remorso e de tristeza. Chorou tanto, mas tanto, que seus sentimentos foram lavados. Primeiramente, tinha ódio e rancor; depois, tinha a tristeza e a solidão; em seguida, tinha remorso e culpa; por fim, tinha o arrependimento sincero. E quando Juca se arrependeu de seus erros uma coisa curiosa aconteceu: o amor em seu coração despertou. Acordou manhoso, com preguiça de levantar, depois espreguiçou e se colocou de pé para mais um dia; mas foi quando abriu a janela do coração e foi iluminado pela luz da esperança é que ele irradiou sua mais bonita vontade de trabalhar. Enquanto isso, Juca também sentia essas transformações: primeiro, sentiu felicidade; depois veio a alegria; então chegou a paz, seguida da esperança; e por fim brotou do fundo do seu coração o amor.

O amor era tão forte e poderoso que não queria mais se agüentar. Foi direto para a boca e Juca não perdeu a oportunidade. Saiu gritando para todos os cantos e pra quem quisesse ouvir que ele também amava. Contou a seus pais, a seus amigos, à sua professora e à Clara. Todos, agora, conheciam o amor que Juca havia guardado tanto tempo dentro do coração. E ninguém duvidava mais de que ele era um garoto amável, que sabia ser bom.

A partir daquele dia, Juca não dava mais vazão às palavras negativas. De sua boca só saíam belezas; em seu pensamento só moravam coisas bonitas; e em seu coração tudo era festa! E, quando, raramente, não resistia e acabava soltando um palavrão, tudo o que conseguia dizer era: “Bro Bro Bro!”

Heitor Tavares Zanoni

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Comentário de marlene santos rocha em 22 fevereiro 2011 às 17:40

ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII !!!!!!!!!!!!!!

BELA MENSAGEM!!!!!!!!!!!!!!

BEIJOKAS AMIGO.

MARLENE ROCHA BORGES

Comentário de Juliana Cesar em 19 setembro 2010 às 15:13
Linda história amei ♥

A OJE foi criada com o ideal da união de jovens espíritas, sua sede é em Uberlândia-MG onde trabalhamos para união de mocidades da cidade.

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